As ações protagonizadas pelo Presidente dos Estados Unidos em janeiro de 2026, mudam totalmente qualquer entendimento sobre o respeito ao Direito Internacional Público. Bombardeios de barcos acusados de supostamente traficar drogas para território estadunidense, se tornaram o novo normal na política internacional.
Os princípios de intervenção preconizados na Carta da ONU estabelecem os seguintes parâmetros:
ARTIGO 2 - A Organização e seus Membros, para a realização dos propósitos mencionados no Artigo 1, agirão de acordo com os seguintes Princípios
4. Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2024, uma das estratégias da política - externa tem por premissa a retomada da influência estadunidense na América Latina. O desmantelamento das áreas de integração regional nos últimos anos passou a ser um obstáculo superado em meio a este afã de reviver políticas imperialistas dos séculos XIX e XX em pleno século XXI.
O esvaziamento da UNASUL e a paralisia do MERCOSUL em razão do descumprimento de obrigações por parte do presidente deposto Nicolás Maduro são os principais retrocessos na região. Seguido do ápice da crise humanitária gerando o maior êxodo de venezuelanos nos mais diversos países das Américas e Europa Ocidental. O desprezo pela democracia e pelo respeito aos direitos humanos tornaram Maduro um pária internacional.
O isolamento seguido pelo rompimento de relações diplomáticas com países de seu entorno em 2024 tornaram a sua permanência insustentável (tanto do ponto de vista das relações entre Estados soberanos quanto na falta de legitimidade). As eleições realizadas em julho do ano passado foram fraudadas e não contaram com respaldo da comunidade internacional. Fatores somados a uma grande instabilidade política, social e econômica capaz de gerar uma guerra civil.
Portanto, o fim da "Era Maduro" era questão de tempo, de acordo com o "conjunto da obra" desabonadora de anos de autoritarismo e da sede insanável de petróleo por parte dos Estados Unidos, junto aos seus interesses por terras raras. A pergunta que fica é a seguinte: quem será o próximo? Pois dado o primeiro sucesso operacional militar da "Doutrina Trump", todas as cartas estão sob a mesa.