Durante os dias 18 a 22 de fevereiro de 2026, o presidente Lula e uma comitiva ministerial e empresarial visitaram à Índia, em uma agenda voltada ao fortalecimento das relações bilaterais e à ampliação da inserção internacional do Brasil em setores estratégicos.
O presidente participou de uma cúpula global sobre inteligência artificial — primeira vez que um chefe de Estado brasileiro integra um evento internacional de alto nível dedicado exclusivamente ao tema.
Na cúpula, Brasil e Japão co-presidem um grupo de trabalho voltado ao debate sobre governança, inovação e impactos econômicos da inteligência artificial. O governo brasileiro tem tratado o tema como eixo estruturante da política industrial e da estratégia de inserção nas cadeias globais de valor, defendendo a construção de marcos regulatórios internacionais que promovam desenvolvimento tecnológico com previsibilidade e segurança jurídica.
A agenda incluiu ainda o Fórum Empresarial Brasil–Índia, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores e pela ApexBrasil, com participação expressiva do setor privado. Os debates abrangem indústria, minerais estratégicos, mobilidade, transição energética, saúde, segurança alimentar e inovação agrícola. Durante a visita, será inaugurado o escritório de representação da ApexBrasil em Nova Délhi.
No campo comercial, avançam as negociações para a ampliação do acordo entre o Mercosul e a Índia. Também entra em vigor a extensão do prazo de validade de vistos de negócios e turismo, de cinco para dez anos, medida voltada a facilitar fluxos empresariais e intercâmbio bilateral.
A cooperação industrial ganha destaque com a parceria entre a Embraer e a Adani Defense and Aerospace, reforçando a dimensão tecnológica da relação. Paralelamente, o Brasil articula acordos para exportação de minerais críticos e terras raras, insumos essenciais para cadeias produtivas de alta tecnologia.
Entre os 8 documentos firmados entre Brasil e Índia, 6 são memorandos de entendimentos. Esse tipo de documento alinha objetivos, direitos e deveres entre duas ou mais partes e geralmente não tem obrigações vinculativas. Servem para formalizar as intenções antes de um contrato definitivo.
declaração conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro
memorandos de entendimento entre o Ministério de Minas da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil sobre cooperação no campo de elementos de terras raras e minerais críticos;
acordo de cooperação bilateral entre o CSIR (Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia) e o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial do Brasil) para acesso à TKDL (Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional);
memorandos de entendimento entre a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a CDSCO/DGHS (Organização Central de Controle de Padrões de Medicamentos, Diretoria-Geral de Serviços de Saúde) da Índia; memorando de entendimento para cooperação no setor postal entre o Ministério das Comunicações do Brasil e o Departamento de Correios do Ministério das Comunicações da Índia
memorando de entendimento entre o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil e o Ministério das Micro, Pequenas e Médias Empresas da Índia sobre cooperação no campo das micro, pequenas e médias empresas;
memorando de entendimento entre o Ministério do Aço do Governo da Índia e o Ministério das Minas e Energia do Brasil no campo da mineração para a cadeia de suprimentos do aço;
memorando de entendimento sobre o uso de certificados eletrônicos de origem entre o Brasil e a Índia
leia a Declaração Conjunta Brasil-Índia por ocasião da Visita de Estado do Presidente da República à Índia