O Dia Internacional das Mulheres é um momento para reconhecer o papel das mulheres na construção da ordem internacional e refletir sobre os avanços e desafios para alcançar uma diplomacia mais plural e equitativa.
Um dos momentos mais significativos da presença feminina na diplomacia internacional ocorreu em 1945, na Conferência de São Francisco, que estabeleceu a Organização das Nações Unidas. Entre mais de 160 delegados, apenas quatro mulheres, incluindo a brasileira Bertha Lutz, assinaram a Carta da ONU e impulsionaram a inclusão da igualdade de gênero no documento fundador.
Esse feito histórico pavimentou o caminho para a Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2000, que reconheceu explicitamente o papel das mulheres na prevenção de conflitos e na construção da paz. Hoje, a ONU adota iniciativas para fortalecer a participação feminina em processos de paz, segurança e desenvolvimento.
A construção da presença feminina no serviço exterior brasileiro começou no início do século XX. Maria José de Castro Rebello Mendes foi a primeira mulher a ingressar no então Ministério das Relações Exteriores em 1918, abrindo espaço em uma carreira outrora reservada a homens.
Ao longo das décadas seguintes, mulheres como Odete de Carvalho e Souza (primeira embaixadora de carreira em 1956), Thereza Maria Machado Quintella (primeira aluna do Instituto Rio Branco a tornar-se embaixadora) e Vera Pedrosa (primeira mulher a ocupar posição de liderança no Itamaraty) marcaram a presença feminina em postos de destaque na diplomacia brasileira.
Apesar dessas conquistas, a participação feminina na carreira ainda não é proporcional à população brasileira: mulheres representam cerca de 23% do quadro de diplomatas e continuam sub-representadas em altos cargos de liderança.
As diplomatas brasileiras ocupam funções relevantes em missões bilaterais e multilaterais, inclusive em chefias de missão permanente junto a organismos internacionais, como em Genebra e Nova York. A presença de mulheres em negociações institucionais enriquece o debate sobre temas como direitos humanos, clima, paz, segurança, comércio global e inovação.
No plano internacional, a agenda de Mulheres, Paz e Segurança coloca a igualdade de gênero como elemento central para abordagens eficazes em processos de paz e desenvolvimento sustentável. A experiência histórica mostra que incluir mulheres não é apenas uma questão de justiça, mas um fator de eficácia na diplomacia e nos mecanismos de governança global.
Celebrar o Dia Internacional das Mulheres é reconhecer trajetórias pioneiras e avançar na promoção de uma diplomacia mais representativa, inclusiva e eficaz, que reflita a diversidade de vozes e experiências necessárias para enfrentar desafios globais complexos no século XXI.